O silêncio também pode te curar
- Alkeandra Souza
- 15 de set.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Você já ouviu a expressão “Silenciar para poder ouvir?”
Parece estranho, né!? Mas a verdade é que esta é uma maneira muito eficaz de acessar o seu mundo interno e dele ouvir as respostas para as tantas questões que causam algum tipo de adoecimento, seja ele físico, emocional, comportamental, entre outros.
Vivemos em um mundo que nos dá a sensação de estar a cada dia mais acelerado. Entretanto, continuamos com as mesmas vinte e quatro horas de sempre. Então, o que mudou?
É claro que esta resposta não é fácil tampouco simples de ser respondida; porém eu acredito em uma possibilidade: a dificuldade em legitimar o próprio sofrimento.
Diante dos inúmeros afazeres da vida cotidiana, a saúde individual tem sido negligenciada em prol de mostrar o “seu valor” através de alta performance, conquista de status profissional, ganhar muito dinheiro, não explicitar as próprias fragilidades por medo de uma demissão da empresa em que trabalha, ser uma pessoa “bem-sucedida”, e etc.
Em contrapartida, algo em seu interior faz muito barulho, cria caos e desordem, tece uma longa teia de emoções mal resolvidas, e por vezes, desconhecidas do próprio sujeito.
Nesta caminhada, muitas pessoas estão se perdendo, vivendo uma vida cheia de privações, obrigações, conflitos internos, adoecimentos, e ao chegar em um determinado momento da própria existência, começam a se questionar sobre o significado de tudo o que vêm realizando até então.
Para muitos o desejo de mudar, pulsa, mas se confunde com a necessidade de dar respostas emocionais aceitáveis perante uma sociedade também muito adoecida.
Neste contexto, eu posso citar alguns sintomas recorrentes que pacientes relatam em terapia:
Pensamentos intrusivos;
Ruminações mentais;
Compulsões (comida, compras, sexo, medicamentos) ;
Vícios (álcool, cigarro, tela, drogas ilícitas);
Ansiedade crônica;
Sentimentos de solidão e tristeza;
Depressão;
Problemas digestivos;
Dores de cabeça recorrentes, enxaqueca;
Irritabilidade constante;
Falta de perspectiva na vida;
Raiva;
Alergias em geral;
Procrastinação;
Pensamentos suicidas.
Eu ficaria horas aqui elencando as diversas dificuldades emocionais e patologias que escancaram um adoecimento instalado há muito tempo. E acredito que não abarcaria tudo o que o ser humano tem vivenciado no dia a dia em seus momentos de dor, desespero e desalento.

A incapacidade individual e coletiva de escutar este pedido de socorro mostra que este é um tema urgente e que merece o nosso olhar mais acurado.
Um bom primeiro exercício é parar. Parar para se ouvir. Ouvir o que a palavra ainda não consegue verbalizar mas que o corpo grita, comunicando uma urgência.
Nossas histórias pessoais se entrelaçam com este mundo alvoroçado. Alegrias e conquistas. Tristezas e derrotas. Relacionamentos que vêm e vão. Amadurecimento. Vida e morte. Lutos. Tudo está aí.
E como aprender a ficar em silêncio pode te ajudar?
Silenciar para poder ouvir as próprias emoções e dores; isto se chama autopercepção.
Silenciar para entrar em contato com o que é seu de verdade; isto é, encontrar a sua individualidade.
Silenciar para compreender os sinais e sintomas de um corpo que está exausto; isto é autocuidado.
Silenciar para encontrar VOCÊ!

É a partir desta escuta interna que a vida pode ser mais leve, mais organizada, mais presente.
Imagino que ouvir o seu silêncio pode ser desafiador, mas você não está sozinho. Há caminhos para melhorar. E buscar a ajuda de um profissional pode ser o primeiro passo.

